terça-feira, 19 de abril de 2011

Homem: possibilidades e transcendência.

Depois de alguns textos falando de psicologia à luz da psicanálise, chegou a hora de falar à luz da fenomenologia. Para isso, usarei como fonte o livro Enfoque fenomenológico da Personalidade de Yolanda Cintrão Forghieri.
Forghieri cita Binswanger (1967) e diz: “O ser humano, ao contrário, embora em sua vida sofra limitações de seu ambiente e de sua corporeidade, e necessite adaptar-se a eles, possui a capacidade de transcendê-los por meio da consciência que tem das situações que vivencia”.
Sendo assim, o mundo circundante é determinado para o animal e para o homem. Porém, o homem pode transcendê-lo e o outro, não. E a transcendência vem da consciência das situações vividas (passado), que está vivenciando (presentes) e das que ainda poderá vivenciar (futuro).
E qual seria então o “mundo” do homem? O mundo onde ele pudesse viver, crescer, transcender? A autora em questão nos diz: “O ‘mundo’ humano é aquele que diz respeito ao encontro e convivência da pessoa com os seus semelhantes. A relação do homem com outros seres humanos é fundamental em sua existência desde o nascimento ele encontra-se em situações que incluem à presença de alguém. O existir é originalmente ser-com o outro”.
Tudo bem que Freud já dizia que uma das maiores dificuldades do homem é o relacionar-se com o outro. Sartre já disse que o “outro é um inferno”. E Nietzsche disse que “é difícil viver com as pessoas porque calar é muito difícil”. Contudo, Forghieri nos alerta para a relação com o outro.
Sendo assim, é interessante notar que o homem na relação com o mundo circundante não encontra resposta, para seus questionamentos, mas com o mundo humano, encontra. Por isso, Forghieri diz: “só posso saber quem sou como ser humano, convivendo com meus semelhantes”.
E pensar que dia a dia o homem moderno se torna mais individualista, mais isolado, mais egocêntrico. Então, nessa cultura individualista, como poderei atualizar minhas potencialidades? Como poderei ser eu mesmo e ao mesmo tempo estar em constante modificação, evolução?
Usarei as palavras da autora em questão que diz: “são as situações que a pessoa vai vivendo, relacionando-se com o mundo circundante e com as pessoas, que lhe vão possibilitando atualizar as suas potencialidades, oferecendo-lhe as condições necessárias para ir descobrindo e reconhecendo quem é”.
Dessa forma, o meu relacionar com o outro e com o mundo, atualizam minhas potencialidades. Em contrapartida, ter relações de dependência e pura “submissão” ao outro não me fazem atualizar minhas potencialidades humanas e me igualam ao mundo circundante.
Refletindo sobre isso, fico pensando como é doloroso o relacionar-se com o outro, mas também como é rico. Tendo em vista que só com o contato com os meus, com os semelhantes é que me verei, me (re)conhecerei e atualizarei minhas potências.
Acredito que por isso a relação, o vínculo terapêutico seja tão importante para o cliente, pois ali ele está (e estará por um bom tempo) relacionando-se com outro ser humano como ele, e isso farão ambos atualizarem suas potencialidades.

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