segunda-feira, 18 de junho de 2012

Relações e a mentira

O texto, de hoje, foi inspirado no diálogo, abaixo, que tive com uma amiga da pós-graduação. Ela sinalizou, depois, a importância dessa conversa nesse fim de semana. Eu – Você leu meu livro? Ela – Você acredita que não?! Eu – Sim. Acredito. Você não está dizendo!?! Essa semana ela repetiu o diálogo e disse ter ficada assombrada porque ela me contou isso e eu acreditei afirmando: “Sim, acredito. Você não está dizendo?!”. Parto do pressuposto que enquanto psicólogo, trabalho com a palavra. A palavra que o cliente traz, verbaliza. Não é meu papel duvidar se essa palavra é verdade ou mentira. Mas em acolher o dito e forma como esse dito é expresso. E, assim, ajudar no processo de encontro do outro. No entanto, se o outro não verbaliza uma verdade, no mínimo preciso repensar – enquanto terapeuta e enquanto pessoa também – que tipo de relação, eu estabeleci com esse outro? Como está nossa relação? Onde permiti que a mentira ou a falta de coerência entrasse? Martin Buber (1871-1965), filósofo e pedagogo, diz, com grande sabedoria: “todo viver verdadeiro é encontro”. Buber falará das relações EU-TU e EU-ISSO. Bem, se minha relação com o outro é verdadeira, então ali aconteceu o verdadeiro encontro entre duas pessoas (EU-TU). Sendo assim, não há espaço para mentiras ou fingimentos. Hycner (1995) ao desenvolver a teoria de Buber diz: “A atitude com que me aproximo do outro é, também, a atitude com que me aproximo de mim mesmo. Se valorizo o outro, isso reflete minha própria autovalorização. Se transformo o outro em objeto, também serei um objeto”. Sendo assim, com qual atitude me aproximei desse outro, criei uma relação com ele que entre nós coube a mentira? Vale salientar, aqui, que muitas vezes o cliente não nos conta a verdade porque ele acha que nós não estamos preparados para ouvi-la, então ele omite. Quando na verdade é ele que não está preparado para ouvir a si mesmo dizendo (e assumindo aquilo ao verbalizar). E se o cliente mentir, a verdade virá à tona em outra oportunidade. Então, cabe nesse momento, o terapeuta trabalhar a questão do motivo da contradição. Porém, isso precisa ser pertinente ao processo terapêutico e não uma curiosidade do psicólogo ou uma atitude de revanche. Voltando às relações... o encontro verdadeiro muda o outro. Muda o terapeuta e muda o cliente. Por isso, a relação terapêutica não é construída do dia para noite, no primeiro atendimento. Na verdade, ela começa a ser construída na ligação para a marcação da consulta. E cabe ao terapeuta atentar para a forma que ele se relaciona com cada cliente. Pois cada um pedirá uma forma de relacionar-se única. Ouso terminar dizendo a você, terapeuta ou não - como andam suas relações? Como anda o cuidado nas suas relações? Cansativas? Estressadas? Chatas? Saiba que o cuidado que você denota para suas relações interpessoais transparece também nas suas relações com os clientes!

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