quarta-feira, 9 de março de 2011

Falando a gente se entende.

Neste blog escreverei textos sobre psicologia, relacionamentos humanos, alegrias, dores, dúvidas etc., enfim, tudo o que toca a psicologia e ao homem. Até mesmo os assuntos mais “estranhos” como perversão, psicose, neurose. E a palavra estranho aparece aqui com aspas, à luz da célebre frase de Freud: “Nada do que é humano me é estranho”. O título “Falando a gente se entende” tem com premissa que a “cura se dá pela palavra”. Pois à medida que falamos, escrevemos, expomos nossas ideias estamos fazendo nossa catarse e dando espaço para a vida fluir no nosso interior, no nosso mundo psíquico.
Sobre o poder da catarse na cura de nossas doenças, citarei um trecho do que Breuer (Josef Breuer – médico e a quem Freud se referia como “o mais estimado dos amigos e o mais amado dos homens”.) fala a respeito da cura pela palavra:
Grande foi minha surpresa quando, em seguida a uma dessas verbalizações acidentais e espontâneas da hipnose da tarde, vi desaparecer pela primeira vez um distúrbio que durava muito tempo. Atravessávamos nesse verão um período canicular e a paciente sofria muito com o calor, súbito, sem que ela pudesse explicar, não conseguia mais beber nenhum líquido. Pegou na mão um copo de água com vontade de beber, mas, assim que o levou aos lábios repeliu-o, tal qual uma hidrofóbica. (...) Ao fim de aproximadamente seis semanas, pôs-se um belo dia a falar-me, durante a hipnose, de sua dama de companhia, uma inglesa de quem ela não gostava, e contou, com todos os sinais de repugnância, que, tendo entrado, em uma ocasião, no quarto dessa senhora, vira-a dando de beber, em um copo, a seu cãozinho, um animal horripilante. Por polidez, nada disse. Depois de ter energicamente expressado a cólera contida, pediu para beber engoliu sem dificuldade uma grande quantidade de água e saiu de seu estado hipnótico, com o copo na boca. Depois disso, o distúrbio desapareceu para sempre”.
Ressalto, aqui não farei hipnose com ninguém. Mas o trecho acima serve como enfatizador da nossa necessidade de falar, desabafar, externar, pois “Falando a gente se entende”.Tudo bem que quem mais falará aqui serei eu através dos textos postados. Sendo assim, a cura começará em mim primeiro, é verdade. No entanto, desejo que os textos sirvam de esclarecimentos, reflexões, indagações, questionamentos, trocas, partilhas. E, dessa forma, estarei aberto aos comentários e ao crescimento com as partilhas aqui ocorridas ou, partilhas começadas por esse meio, ou mesmo pelo meu e-mail lucafilho@hotmail.com.
Fonte: Revista Viver Mente e cérebro – coleção Memória da Psicanálise nº 1 – Freud – Editora Duetto, São Paulo, 2003.
09/03/2011

Um comentário:

  1. Oi Luis!
    Achei muito legal. Tenho certeza que seus textos irão ajudar seus leitores. E parabéns
    Um abraço.

    Arali.

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