terça-feira, 15 de março de 2011

Fim do amor: decepção com o outro ou comigo mesmo? (Parte 2)

Na verdade, gostaria de escrever sobre outro assunto. No entanto, ao reler o post anterior, percebi não ter conseguido expressar o que realmente queria. Pois me “perdi” no meio do caminho e fugi um pouco do tema. Sendo assim, resolvi retomar o tema.
Se amamos um ser misturado, (Amamos a pessoa pelo que ela é, por aquela pessoa com quem convivemos, mas também amamos pela fantasia inconsciente que fazemos e temos dessa pessoa) então a dor da separação, do fim do amor é a dor de separar-se da fantasia que me unia ao outro. Pois segundo Nasio (2007), “a existência fantasiada do outro é mais importante do que a existência exterior”. Sendo assim, a separação é uma dor “egoísta”, pois perdemos uma parte de nós, uma parte do outro, mas que é fantasiada por mim e que me constituía. E Nasio (2007) ainda dirá: “o que dói não é perder o ser amado, mas continuar a amá-lo mais do que nunca, mesmo sabendo-o irremediavelmente perdido”. E esse amor ao objeto perdido, é uma defesa do “eu” a perda real do amado, por isso o “eu” atrela-se à imagem do objeto perdido.
E se imaginamos o amado segundo nossos afetos e valores, perder esse amado é perder uma parte de nós. Então, perder o amado é uma decepção comigo mesmo. Pois Nasio (2007) dirá corroborando tudo isso: “o eleito é, antes de tudo, uma fantasia que nos habita (...) objetos das nossas projeções imaginárias”.
E para arrematar, o mesmo autor diz: “Não é a ausência do outro que dói, são os efeitos em mim dessa ausência. (...) Sofro porque a força do meu desejo fica privada de uma de suas fontes, que era o corpo do amado”.
Por que falar nisso tudo? Ora se é “Falando que a gente se entende”, muito justo falar sobre perdas de amor. Amor que pode ser de amigo, de irmão, de namoro, de homem, de mulher, de trabalho, de estudo. Enfim, todos nós sofremos perdas e precisamos pensar melhor sobre elas, sobre as dores que elas nos causam. E, assim, elaborar melhor nossos lutos. Pois, “Falando a gente se entende”.
13/03/2011
Fonte: Livro A dor de amar - J.D. Nasio, Ed.Zahar, 2007.

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