Você já parou para perceber que quando amamos alguém sempre amamos
um ser misturado? Sim, misturado. Amamos a pessoa pelo que ela é, por
aquela pessoa com quem convivemos, mas também amamos pela fantasia
inconsciente que fazemos e temos dessa pessoa. E aí, inconscientemente,
imaginamos o nosso amado segundo nossos valores inconscientes, nossos
desejos inconscientes. Mas eis que surge uma questão: quando fico chateado
com a pessoa amada, isso se deve porque ela fez algo “errado” ou porque ela
não correspondeu aos meus valores e desejos inconscientes?
Acredito que o que há de mais belo, rico no mundo é o relacionamento
humano, porém também é o que há de mais difícil. (Lembrei-me de Sartre ao
dizer que “o inferno são os outros”.) É interessante notarmos que a pessoa
amada além de se relacionar com uma pessoa de gostos, história, ritmos de
vida diferentes tem que lidar com as fantasias desse outro que é imposta sobre
ela.
Não quero crucificar um lado da moeda apenas, pois a pessoa amada (como
ser humano que é) também ama a projeção dela em nós. Então, o que
devemos fazer? Eis a hora da palavra! A hora do “Falando a gente se
entende”. Pois bem, uma possibilidade de solução nesse caso seria sermos
verdadeiros. Sim, verdadeiros! Assumir que estou com raiva do outro, mas
assumir que na verdade o motivo dessa raiva começa em mim que o fantasiei.
Eu que esperei demais dele, idealizei. Eis o mote crucial, queremos pessoas
reais para amar ou pessoas ideais? Sinto dizer-lhes, mas pessoal ideal só em
vaga de seleção de trabalho, mas fora isso, nos relacionamos com seres reais.
É interessante perceber que muitas pessoas ficam sozinhas em busca do
parceiro ideal e esquecem que o “ideal” pode ser aquele parceiro real que está
ao seu lado. (Isso não é enredo de comédia romântica de filme norte-
americano, mas uma verdade!). Porém, voltemos ao assunto de sermos
sinceros conosco. Um exemplo simples, talvez, nos ajude a entender a nossa
fantasia acerca do amado e da necessidade de sinceridade. Às vezes dizemos
que o outro está chato e por isso não queremos conversar. E o outro envereda
pelo caminho pessoal e a briga vira uma imensa bola de neve. Não seria mais
sensato se assumíssemos nossa verdade e mudássemos o tom do diálogo?
Por exemplo, “você, para mim, está parecendo que está aborrecido, um pouco
chato hoje, é verdade?”. Convenhamos que isso é bem diferente de
dizermos “Você está chato hoje!” Ou, “eu não estou bem hoje, peguei um
trânsito infernal, briguei com o chefe e acho que estou chateado”. Rogers já
falara sobre isso ao discorrer sobre a congruência, coerência. Ele dizia que
quando somos coerentes conosco, indubitavelmente nós levamos o outro a ser
coerente também, a abandonar as máscaras. Pois bem, sendo assim, nada
como sermos sinceros conosco e com o outro e sabermos que “Falando a
gente se entende”.
Achei o texto maravilhoso. Realmente sempre colocamos a culpa no outro. Assumir que não estamos bem as vezes é difícil!
ResponderExcluirArali.
No começo, acho até legal o esforço pra querer ser agradável o tempo todo, mas é crucial ser sincero nos dias em que não estamos com clima interior muito pacífico. O problema é que esquecemos de racionalizar isso quando estamos apaixonados... rsrs
ResponderExcluirO problema mesmo é que esperamos demais do nosso companheiro,isso é a mais pura verdade, e as vezes cobramos tanto que chegamos a sufocar o próximo.
ResponderExcluirMayhara Marcelino.